quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Brasil registra mais 13,6 mil casos e 361 óbitos por covid-19 em 24 horas

 


O total de brasileiros acometidos pela covid-19 desde início da pandemia subiu para 20.913.578. Em 24 horas, foram registrados 13.645 novos diagnósticos positivos no sistema de informações do Ministério da Saúde.

Ainda há 396.761 casos em acompanhamento. O nome ao número de casos ativos de pessoas que tiveram o diagnóstico confirmado e estão sendo atendidas por equipes de saúde ou se recuperando em casa.

A quantidade de brasileiros mortos em função da pandemia foi para 584.171. Nessa terça-feira (07), autoridades de saúde registraram 361 novos óbitos associados à doença. 

Ainda há 3.511 falecimentos em investigação. Nessas situações, os diagnósticos dependem de resultados de exames concluídos apenas após o paciente já ter morrido.

A atualização foi divulgada pelo Ministério da Saúde na noite desta terça-feira. O balanço da pandemia consolida dados sobre casos e mortes enviados por secretarias estaduais de Saúde. 

O número de pessoas que se recuperaram da covid-19 subiu para 19.932.646. Isso corresponde a 95,3% das pessoas infectadas no Brasil desde o início da pandemia.

Os dados em geral são menores aos domingos e segundas-feiras em razão da dificuldade de alimentação do sistema pelas secretarias estaduais. Essa dificuldade também ocorre aos feriados, como hoje. Já às terças-feiras os resultados tendem a ser maiores pela regularização dos registros acumulados durante o fim-de-semana.

Estados

No topo do ranking de mortes por estado estão São Paulo (146.595), Rio de Janeiro (63.312), Minas Gerais (53.386), Paraná (37.830) e Rio Grande do Sul (34.350). Na parte de baixo da lista estão Acre (1.815), Roraima (1.957), Amapá (1.959), Tocantins (3.704) e Sergipe (6.001).

São Paulo também lidera no número de casos, com 4,29 milhões de diagnósticos positivos, seguido por Minas Gerais (2,08 milhões) e Paraná (1,47 milhão). Os que apresentam menos casos são Acre (89.899), Amapá (122.547) e Roraima (124.441). 

Novo surto? Homem morre com suspeita de ‘doença da urina preta’ no Pará

 

Um homem de 55 anos morreu nesta terça-feira com suspeita de rabdomiólise, a  doença da urina preta, em Santarém, no Pará. A vítima foi identificada como o mototaxista Genivaldo Cardoso de Azevedo. Em agosto, a Bahia e o Amazonas enfrentaram surtos da enfermidade.

Azevedo começou a passar mal no domingo. O mototaxista procurou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e relatou dores nos membros inferiores, mialgia e cãimbra. Ele foi liberado após receber medicação.

Ainda com dores, Azevedo precisou retornar à unidade de saúde na mesma noite. Mas dessa vez, além das pernas, o mototaxista reclamava que o tórax estava dolorido.

“Nós pedimos a transferência dele para o pronto socorro do município, na madrugada de terça-feira. Ele apresentava algumas características, como urina escura e perda do nível de consciência, e acabou morrendo com falência múltipla dos órgãos”, explicou o diretor do Hospital Municipal de Santarém, Vinícius Savino.

O caso é investigado como suspeita de rabdomiólise. Trata-se de uma condição que provoca lesões musculares que liberam substâncias tóxicas na corrente sanguínea. Quando a síndrome aparece após o consumo de peixes, é associada à Doença de Haff. No entanto, pode ocorrer na sequência de traumatismos, atividade física excessiva, infecções, crises convulsivas, consumo de álcool e outras drogas.

De acordo com Savino, a própria vítima não mencionou para o corpo médico que havia comido peixe. Mas após a morte chegou a notícia de que ele tinha consumido pescado. Material biológico de Azevedo foi coletado e enviado para análise laboratorial e uma avaliação completa será feita pelos órgãos de vigilância sanitária e epidemiológica.

“O governo do Pará já havia lançado uma nota técnica alertando sobre a rabdomiólise para nossas equipes. Até porque tínhamos conhecimento do surto em Itacoatiara e há um fluxo grande de pessoas entre as duas cidades, que não ficam tão longe”, disse Savino.

Itacoatiara e Santarém ficam a 420 km de distância, por via fluvial. A viagem de barco entre os dois municípios dura cerca de 24 horas, pelo rio Amazonas.

Em agosto, Itacoatiara enfrentou um surto de rabdomiólise, com 36 casos registrados e uma morte. Em todo estado do Amazonas, o número de pessoas contaminadas chegou a 54.

Bolsa Família: mais de 1 milhão de pessoas aguardam na fila do benefício

 

A fila de cidadãos esperando para serem incluídos no Bolsa Família cresceu e chega a quase 1,2 milhão de famílias. São exatamente 1.186.755 pessoas que atendem aos critérios do programa e estão no cadastro único para benefícios sociais do governo, mas não foram incluídas para receber a ajuda.

A maioria está no Sudeste e Nordeste. São Paulo tem 17% das famílias da fila, seguido por Bahia (10%), Pernambuco (8,9%) e Rio de Janeiro (8,5%).

Os números foram obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação. Revelam um contingente de famílias aptas a serem inseridas no programa — cuja ampliação se tornou bandeira do presidente Jair Bolsonaro para as eleições de 2022 —, mas que não conseguem receber o benefício, mesmo pelos critérios atuais.

A intenção do governo é alterar os parâmetros para definição de pobreza e extrema pobreza para incluir mais pessoas no programa. A proposta enviada ao Congresso no mês passado reformula o Bolsa Família, que passará a se chamar Auxílio Brasil, também reajusta o valor médio do benefício.

Mesmo com a medida no Congresso, o Orçamento de 2022 não prevê mais recursos para o programa. O Orçamento foi enviado sem aumento por falta de espaço no teto de gastos — regra que impede o crescimento das despesas da União acima da inflação do ano anterior. A previsão é de gastar R$ 34,7 bilhões, mesmo valor deste ano, recurso suficiente para atender a 14,7 milhões de pessoas. Atualmente, o Bolsa Família beneficia 14,6 milhões.

Impasse dos precatórios

O Ministério da Economia tem afirmado que o crescimento dos gastos com precatórios (despesas decorrentes de decisões judiciais), que chegam a R$ 89,1 bilhões em 2022 (contra R$ 54,7 bilhões deste ano), consome os recursos que seriam destinados ao novo Bolsa Família. Por isso, tenta reduzir o pagamento dos precatórios para abrir espaço no Orçamento para o Auxílio Brasil.

O programa atende às famílias que vivem em situação de pobreza e de extrema pobreza. Podem fazer parte todas as famílias com renda de até R$ 89 mensais por pessoas e famílias com renda por pessoa entre R$ 89,01 e R$ 178 mensais, desde que tenham crianças ou adolescentes de 0 a 17 anos.

A fila de cidadãos esperando para serem incluídos no Bolsa Família cresceu e chega a quase 1,2 milhão de famílias. São exatamente 1.186.755 pessoas que atendem aos critérios do programa e estão no cadastro único para benefícios sociais do governo, mas não foram incluídas para receber a ajuda.

A maioria está no Sudeste e Nordeste. São Paulo tem 17% das famílias da fila, seguido por Bahia (10%), Pernambuco (8,9%) e Rio de Janeiro (8,5%).Continua após a publicidadehttps://a6e68b8e50d68e33a15d0679e4ac4f66.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Os números foram obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação. Revelam um contingente de famílias aptas a serem inseridas no programa — cuja ampliação se tornou bandeira do presidente Jair Bolsonaro para as eleições de 2022 —, mas que não conseguem receber o benefício, mesmo pelos critérios atuais.

A intenção do governo é alterar os parâmetros para definição de pobreza e extrema pobreza para incluir mais pessoas no programa. A proposta enviada ao Congresso no mês passado reformula o Bolsa Família, que passará a se chamar Auxílio Brasil, também reajusta o valor médio do benefício.

Mesmo com a medida no Congresso, o Orçamento de 2022 não prevê mais recursos para o programa. O Orçamento foi enviado sem aumento por falta de espaço no teto de gastos — regra que impede o crescimento das despesas da União acima da inflação do ano anterior. A previsão é de gastar R$ 34,7 bilhões, mesmo valor deste ano, recurso suficiente para atender a 14,7 milhões de pessoas. Atualmente, o Bolsa Família beneficia 14,6 milhões.

Impasse dos precatórios

O Ministério da Economia tem afirmado que o crescimento dos gastos com precatórios (despesas decorrentes de decisões judiciais), que chegam a R$ 89,1 bilhões em 2022 (contra R$ 54,7 bilhões deste ano), consome os recursos que seriam destinados ao novo Bolsa Família. Por isso, tenta reduzir o pagamento dos precatórios para abrir espaço no Orçamento para o Auxílio Brasil.

O programa atende às famílias que vivem em situação de pobreza e de extrema pobreza. Podem fazer parte todas as famílias com renda de até R$ 89 mensais por pessoas e famílias com renda por pessoa entre R$ 89,01 e R$ 178 mensais, desde que tenham crianças ou adolescentes de 0 a 17 anos.

Como o GLOBO já publicou, técnicos no Ministério da Cidadania trabalham com uma atualização desses valores. O limite da linha de extrema pobreza deve subir para R$ 93, e o da pobreza será de R$ 186. Portanto, a tendência é que mais pessoas fiquem aptas a participar do programa.

Valor do benefício

O valor que a família recebe por mês é a soma de vários tipos de benefícios, mas há um valor médio de R$ 189, que Bolsonaro quer subir mais de 50%, para R$ 300.

A fila de espera pelo benefício , que estava zerada desde julho de 2017, voltou a se formar no governo Bolsonaro. Em junho de 2019 chegou a 229 mil pessoas. Desde então, subiu todos os meses seguintes até atingir um pico em março de 2020, quando 1,655 milhão de famílias aguardavam para serem incluídas no benefício.

Projeto da Câmara quer fazer com que segurado pague perícia médica do INSS

 

Um projeto de lei em tramitação no Congresso prevê que pessoas que entrem com processos contra o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) paguem as custas de uma eventual perícia médica judicial. Hoje, este custo é pago pela União, pelo menos até o fim deste mês. Mas a conta agora, se o Projeto de Lei 3.914/2020 for aprovado no Congresso, será paga pelo segurado que ingressar com ação judicial que necessite de reavaliação pericial.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), as negativas das perícias médicas do INSS são responsáveis por mais da metade de processos judiciais contra a autarquia. Quando o INSS nega o pedido de benefício por incapacidade, como auxílio-doença, o solicitante pode ingressar com um recurso administrativo ou ajuizar uma ação judicial para o reconhecimento do direito previdenciário. Na Justiça, uma nova avaliação é realizada por um médico perito de confiança do juízo. Ele é quem vai decidir se há existência ou não de incapacidade para o trabalho.

Na semana passada, foi aprovado na Câmara o Projeto de Lei 3.914/2020, que retirava o prazo de 2 anos da lei que obrigava o Poder Executivo arcar com esta despesa.

No entanto, esse projeto sofreu uma modificação a pedido do Ministério da Economia. O deputado Darci de Matos (PSD-PR) incluiu uma emenda que imputa à parte autora do processo judicial o pagamento da perícia nos casos em que a renda familiar estiver acima de três salários mínimos ou renda per capta de até meio salário mínimo.

Adriane Bramante, do IBDP: ‘A judicialização deve ser reduzida com medidas inteligentes, justas e equilibradas, não por meio de medidas que evitem que o cidadão ingresse com uma ação judicial’

Para o Adriane Bramante, presidente do IBDP, a judicialização não deve ser reduzida com medidas que evitem que o cidadão ingresse com uma ação judicial por questões econômicas.

“Para uma pessoa que não recebe nada mensalmente e ainda considerando o cenário de grave crise econômica atual, com elevadas taxas de desemprego e crescente aumento do preço da cesta básica, estes valores praticamente impedirão a pessoa de ingressar com ação”, adverte Bramante.

Dados do INSS mostram que há 597 mil pessoas que aguardam perícia médica no Brasil. Em muitos casos, o segurado fica sem receber do INSS, por negativa ou atraso na realização do procedimento, e nem recebe do empregador, que, sem um relatório médico que atesta pela continuidade da incapacidade, não permite que o empregado retorne ao trabalho.

Um projeto de lei em tramitação no Congresso prevê que pessoas que entrem com processos contra o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) paguem as custas de uma eventual perícia médica judicial. Hoje, este custo é pago pela União, pelo menos até o fim deste mês. Mas a conta agora, se o Projeto de Lei 3.914/2020 for aprovado no Congresso, será paga pelo segurado que ingressar com ação judicial que necessite de reavaliação pericial.

Na semana passada, foi aprovado na Câmara o Projeto de Lei 3.914/2020, que retirava o prazo de 2 anos da lei que obrigava o Poder Executivo arcar com esta despesa.

No entanto, esse projeto sofreu uma modificação a pedido do Ministério da Economia. O deputado Darci de Matos (PSD-PR) incluiu uma emenda que imputa à parte autora do processo judicial o pagamento da perícia nos casos em que a renda familiar estiver acima de três salários mínimos ou renda per capta de até meio salário mínimo.

Adriane Bramante, do IBDP: ‘A judicialização deve ser reduzida com medidas inteligentes, justas e equilibradas, não por meio de medidas que evitem que o cidadão ingresse com uma ação judicial’

Para o Adriane Bramante, presidente do IBDP, a judicialização não deve ser reduzida com medidas que evitem que o cidadão ingresse com uma ação judicial por questões econômicas.

“Para uma pessoa que não recebe nada mensalmente e ainda considerando o cenário de grave crise econômica atual, com elevadas taxas de desemprego e crescente aumento do preço da cesta básica, estes valores praticamente impedirão a pessoa de ingressar com ação”, adverte Bramante.

Dados do INSS mostram que há 597 mil pessoas que aguardam perícia médica no Brasil. Em muitos casos, o segurado fica sem receber do INSS, por negativa ou atraso na realização do procedimento, e nem recebe do empregador, que, sem um relatório médico que atesta pela continuidade da incapacidade, não permite que o empregado retorne ao trabalho.

No Senado

Essa mesma proposta foi apresentada pela Câmara no Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória n° 1.045/2021, rejeitada na íntegra pelo Senado na quarta-feira. Naquela Casa, o relator da MP, senador Confúcio Moura, atendendo a requerimentos de senadores, motivados por atuação do IBDP, já havia excluído a obrigação de a parte no processo judicial de pagar com as custas, mesmo quando protegida pela Justiça gratuita.

De acordo com o IBDP, “a judicialização deve ser reduzida com medidas inteligentes, justas e equilibradas, não por meio de medidas que evitem que o cidadão ingresse com uma ação judicial”.

Segundo o instituto, uma melhor formação do processo administrativo e da via recursal de benefícios por incapacidade, aliado à proteção jurídica dos peritos médicos federais, são critérios que podem colaborar para a redução de indeferimentos equivocados e, em especial, da judicialização desnecessária.

“Não é cobrando do autor a perícia que se reduzirá a judicialização, mas com políticas que valorizem a cidadania, a educação previdenciária, e, em especial, que garantam efetividade e segurança jurídica ao processo administrativo”, diz Adriane.

Mega-Sena sorteia nesta quarta-feira prêmio acumulado em R$ 40 milhões

 

A Mega-Sena sorteia nesta quarta-feira (8) o prêmio acumulado em R$ 40 milhões. As seis dezenas do concurso 2.407 serão sorteadas, a partir das 20h (horário de Brasília), no Espaço Loterias Caixa, localizado no Terminal Rodoviário Tietê, na cidade deem São Paulo.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet.

De acordo com a Caixa, caso apenas um apostador ganhe o prêmio da faixa principal e aplique todo o valor na poupança, receberá R$ 120,4 mil de rendimento no primeiro mês. 

O valor de uma aposta simples, com seis dezenas marcadas, custa R$ 4,50.

Pandemia causa impactos na alfabetização de crianças

 

No Brasil, 11 milhões de pessoas são analfabetas. São pessoas de 15 anos ou mais que, pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não são capazes de ler e escrever nem ao menos um bilhete simples. 

Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), Lei 13.005/2014, que estabelece o que deve ser feito para melhorar a educação no país até 2024, desde o ensino infantil até a pós-graduação, o Brasil deve zerar a taxa de analfabetismo até 2024. 

No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado hoje (8), a Agência Brasil conversou com professores que trabalham com a alfabetização de crianças sobre os impactos da pandemia na etapa de ensino e sobre a rotina desses profissionais. 

Sem tempo para cansaço

O professor do terceiro ano do ensino fundamental da Escola Classe Comunidade de Aprendizagem do Paranoá, no Distrito Federal, Mateus Fernandes de Oliveira diz que ainda não conseguiu parar para sentir o cansaço que todo o período de pandemia causou até aqui. Nos últimos 18 meses, ele precisou lidar com diversas situações, incluindo famílias de estudantes com fome. Foi preciso que a escola se organizasse para distribuir cestas básicas nas casas dos alunos. 

“A gente estava falando de falta de alimentos em casa. Famílias passando por necessidades. Não era possível cobrar de uma família que estava preocupada com alimentação que desenvolvesse um processo de escolarização em um momento como este. A gente entendeu que a escola pública, como parte do Estado, tem responsabilidade social. O Estado deveria cuidar das necessidades básicas, mas não estava dando conta. A escola teve que se mobilizar”. 

Enquanto a escola esteve fechada, o professor chegou até mesmo a visitar os estudantes pessoalmente, levar para eles as atividades e verificar como estavam. A maior parte dos alunos não tinha acesso à internet e acabava não participando das aulas online. Agora a escola voltou em um modelo híbrido, intercalando ensino presencial e ensino remoto. 

Oliveira percebe que as desigualdades se acentuaram. Aqueles alunos que vêm de um contexto familiar em que a leitura faz parte do cotidiano, em que há livros e revistas em casa, chegam agora ao terceiro ano do fundamental sabendo ler e escrever. Aqueles que moram em casas com pouca ou nenhuma leitura, às vezes sem mães e pais alfabetizados, acabam tendo um conhecimento aquém do esperado para crianças com 8 ou 9 anos de idade. 

“Não dá para considerar este ano como só este ano. É pensar este ano e o seguinte como duas coisas contínuas, porque senão a gente se exaspera e atropela os processos. Atropela o tempo de entender o que a gente sentiu e o que está sentindo e de perceber que caminhos pode trilhar. A gente pode acabar até gerando o contrário do que gostaria. Em princípio, é preciso ter calma e, ao mesmo tempo, saber que não temos tempo a perder”. 

Trabalho redobrado 

Em Corumbá (MS), foi com cachorrinhas que a professora da Escola Municipal Almirante Tamandaré, Sonia Bays, conquistou os alunos e conseguiu medir o que eles haviam aprendido em um ano de pandemia. Ela dá aula para o primeiro ano do ensino fundamental, estudantes de 6 anos, que estão começando a ser alfabetizados. “Queria fazer algo mais lúdico. Acredito que as crianças são penalizadas por estar longe da escola. Criança em fase de alfabetização precisa da escola”, diz. 

Diante das dificuldades de ensinar a distância e por meio de tecnologias, ela gravou um vídeo apresentando os próprios animais de estimação e pediu que os pais estimulassem os filhos a fazer o mesmo com seus bichinhos. “Na fase da alfabetização, a criança precisa de oralidade. Ela fala e depois transfere para o papel. É preciso estimular essa espontaneidade, essa fala das crianças”. 

Ao pequeno grupo que estava sendo atendido presencialmente em horários especiais na escola, ela pediu que desenhasse e, se soubesse, escrevesse os nomes dos animais. Foi assim que avaliou o que os alunos sabiam e aquilo em que tinham dificuldades. Com base nas atividades desenvolvidas com as crianças, surgiu o trabalho Alfabetização e Infância em Tempos de Pandemia, apresentado em agosto no 5º Congresso Brasileiro de Alfabetização.

A maior parte dos alunos de Sonia está em situação de vulnerabilidade. Não é raro que as famílias tenham apenas um celular com acesso limitado à internet. A estratégia muitas vezes, durante mais de um ano de pandemia, era mandar vídeos por whatsApp, para que os responsáveis baixassem usando a internet do trabalho e, depois, mostrassem para as crianças.

No ano passado, ela chegou a conhecer os alunos pessoalmente, antes do fechamento das escolas por causa da pandemia. A turma desse ano, no entanto, era uma lista com 23 nomes e contatos. Sonia fez questão de entrar em contato com cada um por ligação e conversar com alunos e famílias. A logística não foi simples, alguns estudantes precisaram ir para uma área com wifi aberto, para receber a videochamada. 

A escola foi retomando aos poucos o ensino presencial. Primeiro, apenas uma vez por semana para atender aos alunos que não tinham acesso a aulas remotas. Agora, a escola voltou às aulas presenciais em esquema de revezamento, com turmas reduzidas. 

“Os professores, cada um de uma série, selecionaram os conteúdos que seriam prioritários, que seriam essenciais. Não vamos ter como dar conta de tudo. Estamos focando em leitura e escrita”, diz e acrescenta: “Os alunos não perderam o ano, eles ganharam a vida. Se antes já tínhamos déficit de aprendizagem, agora também temos, ainda maior. Teremos que redobrar o trabalho para vencer isso”. 

Da sala para a tela 

Depois de oito anos nas salas de aula no Rio de Janeiro, o professor Ricardo Fernandes assumiu, em 2019, o cargo de assistente de Gerência de Alfabetização e Anos Iniciais da Secretaria Municipal de Educação. No ano passado, com a pandemia, Fernandes passou a gravar aulas e podcasts para os estudantes da rede municipal, por meio da prefeitura, para garantir a educação remota. Ele, de repente, passou a alcançar um público muito maior. 

“Acaba que você, que está produzindo uma vídeoaula, você não vira só o professor de uma turma. A sensação que dá é que você vira professor de muitas turmas. Essa foi uma estratégia muito importante para muitas crianças que estavam em casa”, diz. 

Foi preciso, segundo Fernandes, recriar, com tecnologia, espaços alfabetizadores. Além de o formato ser um desafio, foi preciso também repensar o conteúdo de alfabetização, incluindo as famílias. “Todas as vezes que a gente pensa um material agora, a gente pensa que essa família vai assistir junto, vai ajudar na mediação desse conteúdo. Então as aulas agora são pensadas na perspectiva mais coletiva. Quem está escutando o que essa criança fala? Quais as perguntas que essa criança pode fazer para essa pessoa? É esse processo de uma educação coletiva que traz para a alfabetização um novo caráter”. 

O professor conta que, durante a pandemia, as trocas entre os professores da rede de ensino ajudaram a desenvolver novas estratégias para chegar aos alunos e também ajudaram os próprios profissionais a não se sentirem isolados. Fernandes ressalta, no entanto, que mesmo com o esforço, há estudantes que precisarão de mais atenção. “A gente sabe que existe um público que historicamente está alijado do contexto de alfabetização e de educação, e esse contexto foi intensificado com a pandemia”. 

Estudo encomendado ao Datafolha pela Fundação Lemann, o Itaú Social e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), divulgado em junho deste ano, mostra que mais da metade (51%) das crianças em processo de alfabetização na rede pública brasileira ficaram no mesmo estágio de aprendizado, ou seja, não aprenderam nada de novo durante a pandemia. Entre os estudantes brancos, 57% teriam aprendido coisas novas, segundo a percepção dos responsáveis. Entre os estudantes negros, esse índice cai para 41%.

Como responsável pela produção de materiais para a alfabetização, Fernandes diz que um dos objetivos é que os estudantes se sintam representados. “Não se pode alfabetizar sem olhar para a favela, sem olhar para o bairro desse aluno, sem olhar para o ritmo desse aluno, sem entender que é um sujeito que aprende quando está em casa, quando está em contato com outros sujeitos. Não se pode negar os aspectos culturais da cidade”, defende. 

Unindo forças

Para a presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) no Paraná, Marcia Baldini, é necessária a união de forças de gestores, Poder Público, professores e familiares para garantir o ensino e a aprendizagem das crianças brasileiras. Marcia, que coordena o Grupo de Trabalho sobre Alfabetização da Undime, diz que a pandemia causou um prejuízo muito grande à alfabetização. 

“É necessário ter políticas públicas nesse sentido, voltar o olhar para isso, porque se não tivermos nas nossas escolas um olhar focado em relação ao professor alfabetizador, a formação continuada, condições de trabalho, a conscientização das famílias para que esse aluno possa aprender, os prejuízos serão imensuráveis nos anos seguintes na educação fundamental, no ensino médio e até mesmo na educação superior, em que vamos formar os famosos analfabetos funcionais”. 

Marcia explica que a alfabetização exige a mediação do professor. Isso porque gestos, movimentos labiais e materiais didáticos têm impacto na aprendizagem. Esses elementos acabam se perdendo no ensino remoto. “Os alunos que estão retornando [para o ensino presencial] apresentam muitas dificuldades, há alunos que esqueceram até mesmo como se escreve o nome”. Os dados mostram muito claramente, nos primeiros anos da educação infantil e do ensino fundamental, prejuízos sociais, econômicos, educacionais, que vão se estender ao longo da vida. 

Retomada

Neste semestre, as escolas estão, aos poucos, com o avanço da vacinação no país, retomando as aulas presenciais, ainda que mescladas ao ensino remoto, no chamado ensino híbrido. Será preciso ainda, segundo a oficial de educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Julia Ribeiro, localizar os estudantes que não conseguiram assistir às aulas na pandemia. 

“Fazer busca ativa desses meninos e meninas que não tiveram condição de se manter aprendendo durante a pandemia. Os dados apontam isso, a pandemia atingiu meninos e meninas que já eram mais vulneráveis. Quem já estava fora da escola ficou cada vez mais longe, e quem estava na escola, mas sem condições de aprender em casa, acabou sendo excluído desse direito”. 

Pesquisa divulgada este ano pelo Unicef mostra que o número de crianças e adolescentes sem acesso à educação no Brasil saltou de 1,1 milhão em 2019 para 5,1 milhões em 2020. Desses, 41% têm entre 6 e 10 anos, faixa etária em que ocorre a alfabetização. 

“A alfabetização é fundamental para a manutenção desse menino ou menina na escola. É nessa faixa etária que é criado maior vínculo, inclusive com a escola. Ciclos de alfabetização que são incompletos podem acarretar reprovações e abandonos escolares nas demais etapas, nas etapas subsequentes”, ressalta.

Para Júlia, sobretudo na pandemia, quando as crianças tiveram aprendizagens diferentes, todas as etapas escolares devem se comprometer a garantir o aprendizado dos estudantes, garantir que aprendam a ler e escrever. 

“A gente precisa de uma corresponsabilização de todo o sistema educacional no sentido de garantir que cada criança e adolescente, independentemente de idade, tenha as oportunidades necessárias que lhe garantam alfabetização completa, que lhe possibilite que esses meninos e meninas tenham maior liberdade, maior autonomia, que estejam incluídos na sociedade, que tenham mais acesso a oportunidades profissionais e pessoais, que tenham acesso a seus direitos”.

Ministério da Educação

No dia 30 de junho deste ano, o MEC lançou o Sistema Online de Recursos para a Alfabetização, apelidado de Sora. A plataforma foi desenvolvida para apoiar professores e trabalhadores da educação no planejamento e execução de atividades de ensino para alunos que estão aprendendo a ler e escrever.

O sistema traz estratégias de ensino ou como o conteúdo pode ser ensinado. Elenca também propostas de atividades a serem aplicadas em salas de aula, ferramentas que são utilizadas na consolidação da apreensão dos conteúdos.

A plataforma disponibiliza recursos adicionais diversos que auxiliam os professores. Podem ser acessadas, por exemplo, imagens que ajudam a fixar as letras do alfabeto. Será incluído também um módulo com sugestões de avaliações para verificar a aprendizagem do conteúdo. Edição: Graça Adjuto – Agência Brasil

Prefeito de Campina Grande anuncia concursos sucessivos para preenchimento de mais de duas mil vagas

 

O prefeito de Campina Grande-PB, Bruno Cunha Lima (PSD), confirmou nesta terça-feira (7), que no Plano Plurianual do Município, produzido neste primeiro ano de sua gestão, prevê a realização de concursos sucessivos até o final de 2024.

A expectativa, segundo o chefe do Poder Executivo Municipal, é de que sejam criadas de duas até três mil vagas, a serem ocupadas ao longo da gestão.

Bruno disse ainda que a previsão é de que um primeiro concurso aconteça ainda no final de 2021, sendo destinado a áreas como Saúde, Educação e setores administrativos.

Garantindo que os aprovados nestes certames serão rapidamente convocados para assumir seus cargos, o prefeito lembrou o recente concurso da Saúde (destinado a médicos especialistas e clínicos gerais), quando, em fevereiro, todos os aprovados foram convocados pela gestão municipal.

“Manifestamos, com isso, inclusive, o nosso profundo respeito para quem se prepara para os exames”, sintetizou.

O futuro concurso do setor educacional vai contemplar profissionais como professores, pedagogos e cuidadores. Já para o próximo concurso da Saúde, estarão sendo convocados médicos, psicólogos e enfermeiros, entre outros profissionais.

Fátima Bezerra publica mensagem em defesa da democracia e “fortalecimento das instituições”

 

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), usou o Twitter nesta terça-feira para celebrar o Dia da Independência. A gestora estadual defendeu a democracia e o fortalecimento das instituições brasileiras.

“A nossa independência depende da manutenção da democracia, que só permanece viva com o respeito, a tolerância e o fortalecimento das nossas instituições. Só assim construiremos uma nação cada vez mais livre, desenvolvida e com justiça social para todos e todas”, escreveu a governadora. 

O posicionamento de Fátima Bezerra acontece em meio às manifestações deste 7 de setembro. As mobilizações, tanto a favor quanto contra a gestão federal, ocorreram em meio à tensão política da crise institucional que o País tem enfrentado nas últimas semanas, marcada principalmente por embates de Jair Bolsonaro com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Prefeito de Campina Grande anuncia concursos sucessivos para preenchimento de mais de duas mil vagas

 

O prefeito de Campina Grande-PB, Bruno Cunha Lima (PSD), confirmou nesta terça-feira (7), que no Plano Plurianual do Município, produzido neste primeiro ano de sua gestão, prevê a realização de concursos sucessivos até o final de 2024.

A expectativa, segundo o chefe do Poder Executivo Municipal, é de que sejam criadas de duas até três mil vagas, a serem ocupadas ao longo da gestão.

Bruno disse ainda que a previsão é de que um primeiro concurso aconteça ainda no final de 2021, sendo destinado a áreas como Saúde, Educação e setores administrativos.

Garantindo que os aprovados nestes certames serão rapidamente convocados para assumir seus cargos, o prefeito lembrou o recente concurso da Saúde (destinado a médicos especialistas e clínicos gerais), quando, em fevereiro, todos os aprovados foram convocados pela gestão municipal.

“Manifestamos, com isso, inclusive, o nosso profundo respeito para quem se prepara para os exames”, sintetizou.

O futuro concurso do setor educacional vai contemplar profissionais como professores, pedagogos e cuidadores. Já para o próximo concurso da Saúde, estarão sendo convocados médicos, psicólogos e enfermeiros, entre outros profissionais.

PM tenta restabelecer bloqueio na Esplanada dos Ministérios após manifestantes furarem a barreira

 

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) informou que conseguiu restabelecer o bloqueio na Esplanada, após um grupo de manifestantes furar barreira de contenção, na véspera de ato de apoio ao governo previsto para hoje (7).

Na noite dessa segunda-feira (6), manifestantes retiraram as barreiras de contenção da PMDF e abriram caminho para carros de passeio, caminhões e ônibus entrarem na Esplanada. O local foi fechado pela PMDF para circulação de carros no início da noite de domingo (5).

Está prevista para hoje manifestação em apoio ao presidente Jair Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios. A abertura da Esplanada para circulação de carros ocorrerá somente após a dispersão dos manifestantes. Outro grupo de manifestantes, contrário ao governo, vai se reunir na Torre de TV.

Em nota, a Secretaria de Segurança do Distrito Federal (SSPDF) lembrou que, em reuniões realizadas previamente com os organizadores dos grupos manifestantes, ficou definido que os maquinários autorizados a participar do ato popular estariam liberados para serem estacionados ao longo da via N1, na madrugada de terça-feira (7). “Importante ressaltar que a autorização permitia apenas exposição dos veículos, como já realizado anteriormente em outras manifestações”, acrescentou.

“A Praça dos Três Poderes permanece interditada por gradil e linha de policiais”, disse a secretaria.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Membros do Conselho Municipal de Saúde de Caicó se reúnem com vereadores

 

Uma reunião nesta terça-feira (31) no Sindicato dos Trabalhadores Rurais discutiu alterações  na lei da composição do Conselho Municipal de Saúde de Caicó. A reunião contou com a participação do presidente da Câmara de vereadores Ivanildo do Hospital e os vereadores : Lobao Filho ( MDB), Júlio Filho ( MDB), Dedé Boneleiro (PSB), Thales Rangel ( PDT), Diogo Silva ( PROS) e Renato Saldanha ( PP) e membros do Conselho.

Na oportunidade a presidente do Conselho Jomara Carneiro expôs a minuta do Projeto de Lei que foi encaminhado à Casa Legislativa, com suas alterações. O projeto será apreciado em sessão plenária com os 15 vereadores.



Com foco na VTCLog, CPI reconvoca motoboy e quebra sigilos da empresa Fonte: Agência Senado

 

Após as ausências do motoboy Ivanildo Gonçalves e da diretora-executiva da VTCLog, Andréia Lima, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia vai se dedicar a aprofundar as investigações sobre a empresa, selecionada pelo Ministério da Saúde para cuidar da armazenagem e distribuição de medicamentos. O anúncio foi feito pelo presidente, Omar Aziz (PSD-AM), na reunião desta terça-feira (31), quando foi aprovada a reconvocação do motoboy e a transferência  de sigilos fiscal, telemático e bancário da VTCLog. 

— Agora a CPI irá focar no depoimento de todas as pessoas da VTCLog. Todas, sem exceção. Nós iremos a fundo na VTCLog até a CPI concluir essa questão — disse Omar Aziz.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que a VTCLog movimentou de forma suspeita R$ 117 milhões nos últimos dois anos. Ivanildo, que é motoboy a serviço da VTCLog, teria feito saques suspeitos que somam o montante de R$ 4,7 milhões. Ele estava convocado para oitiva nesta terça-feira, mas não compareceu, após decisão liminar do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que desobrigou-o de participar da reunião. Senadores consideraram que a posição contraria decisões anteriores do STF. 

Mesmo com a aprovação do requerimento do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) de nova convocação de Ivanildo, a CPI vai recorrer. Para o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), o depoimento de Ivanildo é fundamental no trabalho de investigação da comissão parlamentar de inquérito. Ele criticou a liminar do ministro Kássio Nunes Marques.

— Com a decisão de ontem do ministro Kássio Nunes, foi um retrocesso com relação à jurisprudência adotada pelo Supremo Tribunal Federal. O ministro, com todo o respeito, alegou que não havia pertinência temática. Como não?! Em 2020 e em 2021, um motoboy sacou, do dinheiro da saúde, do dinheiro sagrado do povo brasileiro — criticou.

Renan disse durante a reunião que novas informações apontam que Ivanildo pagava boletos do ex-diretor do Departamento de Logística (Delog) do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias. As imagens de onde foram feitos os pagamentos foram requeridas pela CPI e exibidas durante a reunião. 

— Se isso não for prova suficiente para que o ministro reconsidere sua decisão, nada mais é — disse Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI.

Renan Calheiros reforçou que não recai sobre Ivanildo qualquer responsabilidade por crime. Senadores também aguardam resposta da Polícia Federal sobre pedido de proteção policial para o motoboy. 

— Ele não cometeu crime. Ele cumpriu uma ordem — ressaltou Renan. 

Otto Alencar (PSD-BA) afirmou que há informações de que Ivanildo distribuía dinheiro em Brasília, “o que irá comprometer pessoas em todas as áreas”.

Outros nomes

Randolfe Rodrigues sustentou que tornou-se “indispensável” ouvir outros nomes ligados à VTCLog. Segundo ele, também causou espantou o fato de o motoboy, que recebe cerca de R$ 2 mil, ter sido defendido por uma banca de advogados considerada "cara". De acordo com os senadores, o advogado Alan Diniz Moreira Guedes de Ornelas teria trabalhado na defesa de Fabrício Queiroz e de Adriano da Nóbrega, miliciano morto. 

Senadores também lamentaram a ausência de Andréia Lima. A diretora-presidente disse estar “à disposição para contribuir com os trabalhos da CPI", mas apontou que não poderia comparecer nesta terça "devido à agenda prévia de viagem relacionada à logística de distribuição das vacinas”. 

— Se Andréia quisesse mesmo comparecer, ela teria vindo de São Paulo para Brasília. Amanhã não vou me surpreender se ela também entrar na Justiça para não vir aqui falar — disse Omar.

O líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), classificou como “politização” o eventual indiciamento de servidores do Ministério da Saúde por corrupção passiva no relatório final da CPI. Para o parlamentar, o suposto pedido de propina feito pelo então diretor de Logística da pasta Roberto Ferreira Dias para a compra da vacina AstraZeneca não pode ser caracterizado como crime.

— Isso não passa de clara tentativa da oposição de tentar desmerecer os esforços do governo federal. Essa narrativa sequer pode ser considerada crime, porque Roberto Ferreira Dias não detinha qualquer legitimidade ou autoridade para aprovar a compra de vacinas. Independente do que tenha sido falado nessa reunião, não há qualquer indício de crime — disse o senador.

Marcos Rogério (DEM-RO) e Jorginho Mello (PL-SC) defenderam a apuração da CPI, mas reforçaram que pessoas só devem ser investigadas quando “existirem evidências”. 

— Se há suspeita, tem que apurar, tem que investigar, tem que buscar as provas, as evidências. Quem acusa primeiro para investigar depois já começa errado. Eu duvido que se houver algum elemento de conexão com relação a esse depoente, que o próprio ministro não tenha a possibilidade de fazer a análise e reconsiderar a sua própria decisão — apontou Marcos Rogério. 

Simone Tebet (MDB-MS) disse estar em um deja vu, ao esperar pelo depoimento motoboy Ivanildo Gonçalves à CPI. Ela lembrou que, em 1992, o motorista Eriberto França confirmou a distribuição de recursos públicos para contas privadas dos investigados na CPI do PC Farias.  

— Eu tenho certeza de que Ivanildo estava pronto para dizer a verdade — expôs a senadora, ao lembrar também do depoimento do consultor do Ministério da Saúde William Amorim Santana, técnico da Divisão de Importação, que "não se acovardou" e apontou que fez três alertas sobre erros na invoice (fatura para negociação internacional) para aquisição da vacina indiana Covaxin.

Karina Kufa

A CPI também aprovou a convocação da advogada do presidente Jair Bolsonaro, Karina Kufa. Senadores apontam que ela foi a responsável por organizar um jantar em sua residência onde o lobista Marconny Albernaz de Faria foi apresentado a José Ricardo Santana, ex-secretário-executivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo o comando da CPI, os dois teriam atuado como lobistas da empresa Precisa.

“O depoimento da advogada Karina Kufa é de extrema importância para os trabalhos desta CPI, uma vez que pode esclarecer sua participação e de outros personagens do seu círculo de amizades nas negociações envolvendo contratos com o Ministério da Saúde, razão pela qual peço a aprovação do presente requerimento”, apontou o requerente, senador Randolfe Rodrigues. 

— Estamos convocando não por ser advogada da família do presidente da República, mas pelos notórios diálogos que ela possui com vários lobistas — afirmou Randolfe.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

DataSenado e Interlegis lançam site com dados de todas as câmaras municipais Fonte: Agência Senado

 O DataSenado e o Interlegis lançaram o site Panorama do Legislativo Municipal, repositório digital com informações sobre as câmaras de vereadores de 5.568 municípios brasileiros. O site detalha o número, gênero e escolaridade dos vereadores e funcionários, além do Orçamento anual, de cada casa legislativa.

O lançamento oficial aconteceu quinta-feira (26), durante a 20ª Marcha dos Vereadores, em Brasília, organizado pela União dos Vereadores do Brasil (UVB).

Os dados podem ser visualizados em formato de painéis e estão disponíveis para download, o que aumenta a transparência e facilita o acesso às informações por qualquer cidadão. É possível também comparar os números entre municípios e checar informações a partir do ano 2000.

Há também dados sobre cada um dos municípios, como população, expectativa de vida, produto interno bruto (PIB), PIB per capita e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH Municipal), medida composta de indicadores sobre longevidade, educação e renda.

Um dos idealizadores do projeto, David Varchavsky, coordenador de Planejamento e Relações Institucionais do Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), explica que a ideia surgiu a partir da tentativa de se fazer um censo do poder legislativo municipal. Segundo ele, a equipe do DataSenado encontrou dificuldades para viabilizar o projeto e sugeriu, em vez do censo, que as informações fossem retiradas das bases de dados do próprio Interlegis, do TCU (Tribunal de Contas da União), do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

— São dados que podem ser úteis à imprensa, ao público acadêmico e aos próprios vereadores, prefeitos e governadores. Há um leque grande de informações que podem embasar políticas públicas e ajudar a conhecer o próprio estado. Às vezes, nem o governo estadual tem os dados compilados dessa forma — afirma David.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Senadores cobram de ministro preparo do Brasil para Conferência do Clima Fonte: Agência Senado

 

A temática ambiental deixou de ser questão de esquerda ou de direita e passou a ser “um tema de bom senso”. Com essa frase que o presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA), senador Jaques Wagner (PT-BA), abriu a reunião desta terça-feira (31) para ouvir o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite. O objetivo da audiência foi discutir os planos, direcionamentos e ações da pasta depois que Joaquim assumiu a vaga de Ricardo Salles em junho. 

Wagner apontou que há uma falsa relação entre desenvolvimento e sustentabilidade por meio do desmatamento e ponderou que esse caminho serve a extremos e não deve ser trilhado. O senador mencionou que o tema ambiental merece a atenção de todos e cobrou de Joaquim Pereira Leite a preparação do país para participar da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas prevista para 1° a 12 de novembro, em Glasgow, na Escócia. Wagner ressaltou que a visita do ministro, que compareceu presencialmente à CMA, serviu para “azeitar as relações” com o Senado e a sociedade civil. 

— Estamos às portas da COP-26 e é óbvio que precisamos recuperar a imagem do Brasil nessa temática — pontuou. 

Conferência 

A senadora Kátia Abreu (PP-TO) apontou uma desestruturação do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e questionou Leite sobre como o Brasil conseguirá atender as demandas da sociedade pela redução do desmatamento ilegal e nas negociações em favor do clima até 2030 “com poucos recursos e poucas pessoas experientes na área”. A senadora ressaltou que as negociações a serem feitas na Conferência do Clima de Glasgow precisam ser transparentes para o povo brasileiro e disse que o Senado é autônomo para aprovar as metas elaboradas e compromissadas pelo presidente da República. Na opinião de Kátia, o Brasil não tem condições de chegar à COP-26 com a “mesmice”, mas tem “a obrigação moral e ética de mostrar aos demais países que estamos falando sério”. 

— Não podemos ser tímidos nessa proposta. O Senado Federal tem apoio total do presidente Rodrigo Pacheco para recuperar essa meta e antecipá-la. Não estaremos fazendo algo em desrespeito aos outros países. Cada um faça suas metas, mas o Brasil tem a autonomia de definir as suas e isso não atinge nem traz consequência nenhuma sobre as negociações de lá  —afirmou. 

Segundo Joaquim Pereira Leite, as metas de clima desenhadas no acordo de Paris são de longo prazo e não devem ser alteradas. Assinado em 2015, o tratado rege medidas de redução de emissão de gases estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global abaixo de 2ºC e reforçar a capacidade dos países de responder o desafio. Conforme o ministro, a negociação internacional sobre o clima é complexa, abrangendo interesses econômicos, comerciais e ambientais, sobre a qual ele não poderia se antecipar. Joaquim informou que, durante a conferência de Glasgow, um estúdio será montado em Brasília com interligação direta ao evento, “para levar um Brasil real, que atua protegendo florestas e para a neutralidade da emissão de carbono até 2050”. 

— Nossa equipe vai participar levando o subsidio que o Congresso nos deu sobre os melhores caminhos do Brasil para cumprir o acordo do clima, e o país tem muitas oportunidades. Mas as negociações serão feitas em Glasgow, ao longo da conferência do clima. Não acho que o Brasil deva se antecipar em relação ao movimento dos outros países — declarou. 

Desestruturação

Para o senador Fabiano Contarato (Rede-ES), o presidente Jair Bolsonaro tinha a intenção de acabar com o MMA e o fez por meio da extinção de programas como o plano de combate ao desmatamento, o incentivo à proliferação de agrotóxicos e na diminuição da participação da sociedade civil nessa discussão. Na opinião do parlamentar, a pauta ambiental tem sofrido ataques estimulados pela falta de investimentos em áreas como educação e fiscalização. 

— Temos um verdadeiro ataque sistematizado na pauta ambiental. Quero lembrar que vossa senhoria também tem responsabilidade nessa questão, porque todos temos direito a um meio ambiente equilibrado — destacou. 

Mais informações a seguir

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Padre Humberto Lindelauf: o legado de um homem de fé

 

Resgatar o legado de modernidade, fé e cultura. Uma missão que marca a pesquisa histórico-biográfica do padre Humberto Lindelauf na cidade de Itaperuna, Noroeste do Estado do Rio de Janeiro. Essa epopeia é o desafio do universitário João Pedro Dutra, aluno do 7º Período do Curso de História no Centro Universitário São José de Itaperuna. Rever páginas, espaços e depoimentos para traçar um perfil do grande arquiteto da modernização na cidade com marcas e pegadas por toda a cidade.

Ricardo Gomes – Diocese de Campos

“Resgatar a memória do padre Humberto, como eu venho intentando ao longo desta pesquisa histórica, é revelar a grande importância deste sacerdote à Diocese de Campos e em específico, ao município de Itaperuna! É, para além disto, polir um grande espelho de vida; Pe. Humberto foi e será para sempre, um exemplo às gerações!”. João Pedro Dutra.

Resgatar a memória do padre Humberto, é resgatar um tempo histórico importantíssimo para o município, Itaperuna, é entender as transformações e a construções que constituem a história da cidade. Entender o protagonismo e o legado do sacerdote que deixou sua marca. Para o universitário e urgente o resgate dessas histórias.  Precisamente por isto, faz-se necessária e urgente a produção acadêmica sobre o Sacerdote. O universitário conta o desafio de levantar informações do trabalho do religioso e o legado deixado na cidade.

Durante estes anos de Pesquisa, pude perceber dois pontos basilares que se configuram como obstáculos desafiadores: a discrição pessoal do Sacerdote e a falta de interesse das Instituições locais. O primeiro obstáculo representa para o pesquisador, já inicial escassez de fontes. Padre Humberto raramente mencionava em documentações e diálogos sobre sua vida pessoal na Alemanha, carreira profissional e até mesmo educação religiosa; o seu gênio literário repousou esquecido justamente devido a esta característica marcante do alemão. O segundo obstáculo é indubitavelmente o mais desafiador. Enquanto a grande maioria das pessoas que conheceram Padre Humberto em vida se disponibilizam com grande felicidade a contribuírem com a Pesquisa, as Instituições religiosas e civis em Itaperuna, em sua maioria, apresentam grande resistência em abrir suas portas, apesar dos meus esforços incansáveis”, revela João Pedro.

“A luta do padre Humberto em trazer um Curso Universitário contribuiu para a atual modernização de Itaperuna, uma vez que hoje, grande parte da nossa economia gira em torno das Faculdades. Não há como dizer que Padre Humberto era moderno.” João Pedro Dutra.

Revelar o legado do sacerdote

“O ofício do historiador é resgatar o valor do passado e, na minha percepção, Pesquisas como esta, que se dedicam a compreender o local de importância de figuras históricas, encontram o seu valor na possibilidade de conceder àqueles e àquelas que fazem parte desta história, quer no presente, quer no futuro próximo, maior entendimento de sua identidade. Resgatar a memória de Padre Humberto, é resgatar um tempo histórico importantíssimo para nosso município, Itaperuna, é entender as transformações e a construção do nosso berço. Precisamente por isto, faz-se necessária e urgente a produção acadêmica sobre o sacerdote”, conta.

Histórias de vida e de fé

“Deparei-me com cartas pessoais do padre Humberto que revelavam sua frustração em muitas empreitadas pelo fato de ser estrangeiro. Este detalhe em pouco desanimou o ímpeto do Sacerdote, pelo contrário, o fez alçar sonhos e concretizá-los com maestria. Sempre preocupado com a juventude, que encontrava, assim como ele, barreiras em Itaperuna, lutou para edificar o Ginásio São José e a Faculdade de Filosofia (atual Centro Universitário São José de Itaperuna). Padre Humberto lutou no âmbito social em plena Ditadura Militar e seu esforço hoje é visto na modernização de Itaperuna, que graças ao seu primeiro passo, é uma cidade universitária com referências acadêmicas. Acredito que nós, jovens itaperunenses, podemos nos espelhar nesse testemunho; lutar contra as figuras de opressão e garantir nossos espaços na sociedade é o caminho para garantir nossa emancipação, nossa liberdade de vida, de vida plena, em Itaperuna, cidade que apesar dos avanços, ainda se encontra presa ao obscurantismo dos preconceitos, das intolerâncias e das inúmeras faces do conservadorismo”, destaca João Pedro.

Um sacerdote e visionário que em sua luta buscava a modernidade para a cidade do Noroeste Fluminense. Uma luta marcada por sucessos e até frustações e uma história silenciada no tempo e que ganha destaque na pesquisa do universitário. João Pedro Dutra representa uma geração de jovens que buscam revelar a história e as pegadas do padre Humberto.


Padre Humberto Lindelauf foi um grande homem e, apesar de ser alemão, talvez tenha sido o maior itaperunense - de coração - que o nosso município conheceu até os dias atuais. Homem de gênio forte e inquieto, como ele mesmo se definiria em carta ao bispo da época, Dom Antônio de Castro Mayer, ocupou sua mente ativa desenvolvendo inúmeras contribuições sociais, religiosas e políticas em Itaperuna. Ingressou na Diocese de Campos em 1945, vindo do interior de São Paulo, para tomar posse como Pároco em Varre-Sai, após a saída (por motivos de doença pela avançada idade) do Pe. José Zimmermann. Pouco depois, em 1947, chegou em nossa cidade, de igual maneira, por desfalque no clero local. E aqui, ficou! Durante 22 anos, organizou a Congregação Mariana, deu às Irmãs um Convento e ao clero, uma Casa Paroquial, construiu a atual Matriz São José do Avahy, reformou a Capelinha do Aeroporto (atual Paróquia Nossa Senhora das Graças), reformou a Paróquia Santa Rita, ampliou a São Benedito e edificou a Nossa Senhora do Rosário de Fátima; esta última, localizada no então bairro dos operários, Vinhosa, setor trabalhista que recebeu forte atenção do sacerdote. Não se limitando apenas ao campo religioso, fundou o Ginásio Orientado para o Trabalho São José, a Fundação São José (com o Curso Universitário de Filosofia), o Asilo Santo Antônio dos Pobres, o Patronato e, teve forte presença em obras como o Seminário Diocesano, o Cristo Redentor, o Hospital São José do Avahy, a Companhia Telefônica, Sindicatos Trabalhistas e Clubes de Lazer para os trabalhadores. Como se não bastasse, de forma muito particular, como era característico deste homem reservado e sério, escreveu vários livros no idioma alemão, publicados em sua terra natal, com temáticas infantis ambientadas em solo brasileira


A sua formação na Arquitetura não lhe distanciava do mundo das Letras; na verdade, Padre Humberto era um grande artista: Para além das obras arquitetônicas, o sacerdote era compositor sacro, cantor, organista e por algumas vezes, revelou seus dons para a dança e o balé. Como se não bastasse a sua importância em vida, mediante todo o exposto até agora neste texto, Pe. Humberto aparentemente segue mantendo seu gênio ativo após a morte: Inúmeros foram os relatos que, ao longo de entrevistas durante minha pesquisa, detalham causos miraculosos: curas, gravidez em pessoas inférteis, aparições misteriosas, etc.

“Seria ele, além de um grande sacerdote, um grande santo? De todo modo, santo - no sentido da dignidade dos altares - ou não, Pe. Humberto viveu a essência do Evangelho, combateu o bom combate, defendeu a Fé, revelou-nos a caridade evangélica e nos dá exemplos eternos de valores cívicos, religiosos e humanos! Resgatar a memória de Pe. Humberto, como eu venho intentando ao longo desta pesquisa histórica, é revelar a grande importância deste sacerdote à Diocese de Campos e em específico, ao município de Itaperuna! É, para além disto, polir um grande espelho de vida; Pe. Humberto foi e será para sempre, um exemplo às gerações!” conclui João Pedro Dutra.